sexta-feira, 7 de março de 2014

A Compaixão de Cristo

Para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças. Mateus 8:17. Nosso Senhor Jesus Cristo veio a este mundo como o infatigável servo das necessidades do homem. “Tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças” (Mateus 8:17), a fim de poder ajudar a todas as necessidades humanas. Veio para remover o fardo de doenças, misérias e pecados. Era a sua missão restaurar inteiramente os homens.

Várias eram as circunstâncias e necessidades dos que Lhe suplicavam o auxílio, e nenhum dos que a Ele se chegavam saía desatendido. D´Ele procedia uma corrente de poder restaurador, ficando os homens física, mental e moralmente sãos.
A obra do Salvador não estava restrita a qualquer tempo ou lugar. A Sua compaixão desconhecia limites. Em tão larga escala realizara a Sua obra de curar e ensinar; que não havia na Palestina edifício vasto bastante para comportar as multidões que se Lhe aglomeravam em torno. Nas verdes encostas da Galileia, nas estradas, à beira-mar, nas sinagogas e em todo lugar a que os doentes Lhe podiam ser levados, aí se encontrava Seu hospital. Em cada cidade, cada vila por que passava, punha as mãos sobre os doentes, e os curava. Onde quer que houvesse corações prontos a receber-Lhe a mensagem, Ele os confortava com a certeza do amor de Seu Pai celestial. Todo o dia ajudava os que a Ele vinham; à tardinha atendia aos que tinham que labutar durante o dia pelo sustento da família.
Jesus carregava o terrível peso de responsabilidade da salvação dos homens. Sabia que, a menos que houvesse da parte da raça humana, decidida mudança de princípios e desígnios, tudo estaria perdido. Esse era o fardo de Sua alma, e ninguém podia avaliar o peso que sobre Ele repousava. Através da infância, juventude e varonilidade, andou sozinho.

Dia a dia enfrentava provas e tentações; dia a dia era posto em contato com o mal, e testemunhava o poder do mesmo sobre aqueles a quem buscava abençoar e salvar. Não obstante, não vacilava nem ficava desanimado.

Era sempre paciente e bem-humorado, e os aflitos O saudavam como a um mensageiro de vida e paz. Via as necessidades de homens e mulheres, crianças e jovens, e a todos dirigia o convite: “Vinde a Mim.” Mateus 11:28.

Ao passar por vilas e cidades, era como uma corrente vivificadora, difundindo vida e alegria.


Ellen G. White, Refletindo a Cristo, pág. 11.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Discipulado por meio de Metáforas

Texto principal:
"Todas estas coisas disse Jesus às multidões por parábolas e sem parábolas nada lhes dizia; para que se cumprisse o que foi dito por intermédio do profeta: Abrirei em parábolas a Minha boca; publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo" (Mt 13:34, 35).

O cristianismo é razoável e tem lógica. O intelecto deve ser cultivado. No entanto, o intelecto sozinho expressa de modo insuficiente toda a personalidade humana. Ao contrário dos robôs, que são programados para processar a razão e a lógica, os seres humanos são capazes de amar, sentir, sofrer, chorar, preocupar-­se, rir e imaginar. Por isso, Jesus ajustou as verdades eternas de uma forma que ia além do mero intelecto. Ele falou por intermédio de figuras concretas extraídas da vida cotidiana, a fim de alcançar as pessoas onde elas estavam. Crianças e adultos podiam entender verdades profundas transmitidas por meio de parábolas envoltas em imagens e metáforas.

Enquanto isso, conceitos complexos como justificação, justiça e santificação eram facilmente compreendidos mediante a arte do Mestre contador de histórias. Em outras palavras, conceitos que muitas vezes são difíceis de entender na linguagem comum podem ser ensinados com o auxílio de símbolos e metáforas.

Exemplos do Antigo Testamento
1. Leia 2 Samuel 12:1-7; Isaías 28:24-28; Jeremias 13:12-14 e Ezequiel 15:1-7. Como essas parábolas e alegorias ampliam nossa compreensão do relacionamento entre Deus e a humanidade? Quais objetos ou cenários utilizados por esses profetas aparecem depois nas parábolas de Cristo?

Natã contou uma parábola a fim de disfarçar o verdadeiro propósito de sua visita. Ao condenar o homem rico da parábola, Davi implicou a si mesmo na transgressão, pronunciando assim a própria sentença. Usando um artifício literário (uma parábola), Natã alcançou algo que de outra forma poderia ter produzido confronto e, talvez, até mesmo sua execução!

A história poética de Isaías provém do ambiente agrícola familiar aos seus ouvintes. Séculos mais tarde, Jesus empregaria esses mesmos cenários. A parábola de Isaías ensina sobre a misericórdia ilimitada de Deus nos tempos de punição. O capítulo 12 de Hebreus também apresenta o castigo de Deus como instrumento para a correção e não como arma para vingança. Castigos divinos refletiam Seus propósitos redentores. Eles eram suficientes para encorajar o arrependimento, reavivamento e reforma. No entanto, quando ocorria teimosia e rebelião mais amplas, havia punições maiores.

A parábola de Jeremias é uma terrível ilustração do julgamento. Sempre que os seres humanos frustram o propósito redentor de Deus, Ele finalmente os entrega às consequências de suas escolhas. Cristo também compartilhou com Seus ouvintes parábolas sobre o julgamento. Ezequiel usou um símbolo diferente para transmitir uma mensagem similar.

Por que contar histórias é uma forma tão poderosa de expressar a verdade? Quais são suas histórias favoritas, e por que você gosta delas? Comente com a classe.

Sabedoria arquitectónica
2. Leia Mateus 7:24-27. Qual é a contribuição desses versos para nossa compreensão do discipulado cristão? Por que Jesus usou esse exemplo da natureza para ensinar uma verdade tão importante?

As modernas sociedades alfabetizadas consideram a alfabetização algo garantido. No entanto, ainda hoje, existem muitas sociedades não alfabetizadas. Ao longo da história antiga, a alfabetização foi exceção e não

quarta-feira, 5 de março de 2014

Discipulado e Oração

Texto principal
"Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em Mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és Tu, ó Pai, em Mim e Eu em Ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que Tu Me enviaste" (Jo 17:20, 21).

Não importa o que fizermos para salvar pessoas, sejam quais forem os programas evangelísticos que criarmos, devemos orar fervorosamente por aqueles que procuramos alcançar. Isso está no centro da vida do cristão, e de modo especial na vida do cristão que deseja formar novos discípulos. Que mudanças poderosas poderiam ocorrer se a oração constante e fervorosa estivesse no centro da nossa metodologia ao buscarmos fazer e manter discípulos!

"Apeguem-se os obreiros às promessas de Deus, dizendo: 'Tu prometeste: 'Pedi e recebereis' (Jo 16:24). Eu preciso que esta pessoa se converta a Jesus Cristo.' Solicitem orações em favor das pessoas por quem vocês trabalham; apresentem-nas perante a igreja como objetos de súplica. [...]

"Escolham alguém, e alguém mais, buscando diariamente a orientação de Deus, em Suas mãos depondo tudo em fervorosa oração, e trabalhando na sabedoria divina" (Ellen G. White, Medicina e Salvação, p. 244, 245).

Compaixão provada pelo tempo
Frequentemente, a oração assume uma postura egocêntrica. Os cristãos apresentam suas listas de desejos diante de Deus, na esperança de obter o que pedem. Ainda que tenhamos sido orientados a colocar nossas petições diante de Deus, às vezes, nossos motivos não são puros. Afinal, nosso coração não é corrupto, perverso e enganoso? Nossas orações não poderiam, às vezes, simplesmente refletir o pecado que está dentro de nós?

No entanto, a oração de intercessão se concentra nas necessidades de outra pessoa, eliminando assim a possibilidade de motivação egoísta. Ao longo da história, as orações de intercessão representaram as mais

domingo, 2 de março de 2014

Discipulado das Crianças

Texto principal:
"Vendo os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que Jesus fazia e os meninos clamando: Hosana ao Filho de Davi!, indignaram-se e perguntaram-­Lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?" (Mt 21:15, 16).


Em nosso desejo de pregar ao mundo e fazer discípulos de todas as nações, não devemos esquecer uma classe de pessoas: as crianças.

Estudos cristãos sobre crianças e jovens divergem em muitos aspectos. No entanto, através das linhas denominacionais algo parece constante: a maioria dos cristãos entregou a vida a Cristo em uma idade relativamente jovem. Um número menor de convertidos vem da população mais idosa. Muitas igrejas, aparentemente, ignoram esse fato importante em seu planeamento evangelístico, direcionando a maior parte de seus recursos para a população adulta. Os primeiros discípulos de Cristo também parecem ter subestimado o valor do ministério das crianças. Jesus rejeitou essa atitude e abriu espaço para as crianças, até mesmo dando prioridade a elas.


Vantagem da criança hebreia
As crianças hebreias desfrutavam um tratamento especial quando comparadas às crianças das antigas nações vizinhas. Em muitas culturas eram difundidos sacrifícios de crianças para apaziguar os deuses. Do contrário, o valor das crianças frequentemente era medido por sua contribuição económica à sociedade. Produtividade do trabalho, não valor intrínseco, definia seu relacionamento com o mundo adulto. É triste dizer, mas algumas dessas atitudes, especialmente quando se trata de valor económico, são encontradas em nosso mundo atual. Verdadeiramente, o dia da ira precisa vir.

Evidentemente, a apostasia de Israel afetou o valor dado pela população às crianças. O envolvimento de Manassés com a feitiçaria e as religiões de outras nações induziu ao sacrifício de crianças (2Cr 33:6). No entanto, o reinado de Manassés foi exceção e não regra. Sob liderança mais espiritual, os israelitas valorizavam muito seus descendentes.

1. Leia o Salmo 127:3-5; 128:3-6; Jeremias 7:31; Deuteronômio 6:6, 7. Que valor Deus dá aos filhos? De que maneira uma compreensão adequada das Escrituras pode afetar nosso relacionamento com eles?

Educação, direito de primogenitura e muitas outras práticas culturais demonstravam claramente o valor das crianças na antiga cultura hebraica. Não é de admirar que Cristo tenha expandido a posição já exaltada das crianças, em comparação com as culturas circundantes, para novas dimensões. Afinal, as crianças são seres humanos, e a morte de Cristo foi por todas as pessoas, independentemente da idade, um ponto que nunca devemos esquecer.

É difícil acreditar que haja adultos tão corrompidos, tão maus e tão degradados que façam mal às crianças,
às vezes até mesmo às suas. Como podemos, em qualquer situação em que estivermos, amar, proteger e educar as crianças dentro da nossa esfera de influência?

Infância de Jesus
Se Jesus não tivesse passado pela infância, chegando ao planeta Terra como adulto, sérias questões poderiam ser levantadas a respeito de Sua capacidade de Se identificar com as crianças. Cristo, porém, Se desenvolveu como toda criança deve se desenvolver, não omitindo nenhuma das etapas de desenvolvimento associadas ao crescimento e à maturidade. Ele compreende as tentações dos adolescentes. Ele sofreu as fragilidades e inseguranças da infância. Cristo enfrentou os desafios que toda criança enfrenta na sua própria esfera. Sua experiência na infância foi outra maneira crucial pela qual nosso Salvador revelou Sua verdadeira humanidade.

2. Ler Lucas 2:40-52. O que isso ensina sobre a infância de Jesus?

"Entre os judeus, os doze anos eram a linha divisória entre a infância e a juventude. Ao completar essa idade, um menino hebreu era considerado filho da lei, e também filho de Deus. Eram-lhe dadas oportunidades especiais para instruções religiosas, e esperava-se que participasse das festas e observâncias sagradas. Foi em harmonia com esse costume, que Jesus em Sua meninice fez a visita pascal a Jerusalém" (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 75).

De acordo com o texto, Jesus adquiriu sabedoria. Deus Lhe concedeu graça. Desde o encontro no templo durante a visita pascal, em Sua infância, percebemos que Jesus tinha profunda sabedoria bíblica. Os rabinos ficaram muito impressionados com as perguntas e respostas de Jesus.

Deus certamente usou várias experiências da infância para moldar esse caráter impecável. Talvez a disciplina de aprender habilidades de carpintaria, a atenção de pais dedicados, a exposição regular às Escrituras e Suas interações com os habitantes de Nazaré formaram a base de Sua educação inicial. No fim, por mais notável que Jesus tenha sido na infância, ainda assim Ele havia sido uma criança, como cada um de nós.

"O menino Jesus não recebeu instrução nas escolas das sinagogas. A mãe foi Sua primeira professora humana. Dos lábios dela e dos rolos dos profetas, aprendeu as coisas celestiais. As próprias palavras ditas por Ele a Moisés para Israel, eram-­ 0Lhe agora ensinadas aos joelhos de Sua mãe" (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 70). Medite nas incríveis implicações dessas palavras. O que elas nos ensinam sobre a humanidade de Cristo?

Curando as crianças
3. Leia Mateus 9:18-26; Marcos 7:24-30; Lucas 9:37-43; João 4:46-54. Quais são as semelhanças e

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Cuidar dos Enfermos

Texto principal:
"E vieram a Ele muitas multidões trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos e outros muitos e os largaram junto aos pés de Jesus; e Ele os curou. De modo que o povo se maravilhou ao ver que os mudos falavam, os aleijados recobravam saúde, os coxos andavam e os cegos viam. Então, glorificavam ao Deus de Israel" (Mt 15:30, 31).

"Durante Seu ministério, Jesus dedicou mais tempo a curar os enfermos do que a pregar. Seus milagres testificavam da veracidade de Suas palavras, de que não veio para destruir, mas para salvar. Aonde quer que fosse, as novas de Sua misericórdia O precediam. Por onde havia passado, os que haviam sido alvo de Sua compaixão se regozijavam na saúde e experimentavam as forças recém-adquiridas. Multidões se ajuntavam em torno deles para ouvir de seus lábios as obras que o Senhor havia realizado. Sua voz havia sido o primeiro som ouvido por muitos, Seu nome o primeiro proferido, Seu rosto o primeiro que contemplaram.
Por que não haveriam de amar Jesus, e proclamar-Lhe o louvor? Ao passar por vilas e cidades, era como uma corrente vivificadora, difundindo vida e alegria" (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 19, 20).

O Messias que cura
1. Leia Isaías 53:4; Mateus 8:17; João 9:1-3. Em que sentido devemos entender esses textos? Quais perguntas eles levantam? Que esperança eles nos oferecem?

Na antiguidade, a doença era considerada resultado de ações pecaminosas. Quem já não se perguntou, em algum momento, se a enfermidade, sua ou de um ente querido, não foi trazida como castigo pelo pecado? No livro de Jó, seus amigos sugeriram que seus infortúnios, que incluíam doença, eram resultado de faltas ocultas. A implicação era que, de alguma forma, seu pecado havia causado seu sofrimento. De maneira idêntica, os discípulos de Cristo entendiam que a cegueira era um castigo pelo pecado. Isso sugere que a doença não requeria diagnóstico nem medicação, mas expiação. Mateus faz referência à profecia messiânica de Isaías, afirmando que Cristo cumpriu essa predição e que a cura pode ser encontrada nEle.

Várias tradições pagãs antigas incluíam divindades que curavam, mas nenhuma dessas tradições propôs que seus deuses realmente tomaram sobre si as enfermidades do povo. Isaías predisse sobre um Redentor que assumiria nossas enfermidades e pecados. Outras tradições antigas faziam provisão para a expiação substitutiva, a fim de beneficiar a realeza. Substitutos eram sacrificados no lugar do rei, para satisfazer os desígnios divinos contra um rei, transferindo assim a punição do mal de um indivíduo para outro. No entanto, em nenhum lugar houve tradições de reis que morreram como substitutos de Seus súditos.
Isso, entretanto, é exatamente o que Isaías predisse e que Mateus confirmou: a Realeza do Céu sofreu as enfermidades humanas. Curiosamente, a palavra traduzida como "sofrimentos" em Isaías 53:4 (NTLH) vem de uma palavra hebraica que significa, basicamente, "enfermidade" ou "doença".

Jesus reconheceu que Sua missão era ao mesmo tempo pregar liberdade e curar os quebrantados de coração (Lc 4:17-19). Ele atraiu muitos pelo poder de Seu amor e caráter. Outros O seguiram porque admiravam Sua pregação de fácil compreensão. Ainda outros se tornaram discípulos por causa de Sua maneira de tratar os pobres. No entanto, muitos seguiram a Cristo porque Ele tocou e curou seu coração quebrantado.

De alguma forma, todos sofremos. Será que nosso sofrimento nos ajuda a ter compaixão diante do sofrimento dos outros? Podemos aproveitar essa identificação para discipular pessoas?

Cura do corpo
2. Qual é a conexão entre doença física e pecaminosidade? Quais ideias não devemos tirar dessa história? Mc 2:1-12

Ao contrário da doutrina bíblica, a antiga filosofia grega separava na existência humana a dimensão espiritual (alma) da dimensão física (corpo). Acreditando que a alma humana era imortal, muitos gregos minimizavam a importância do corpo. Por ser o corpo temporal, era considerado menos valioso do que a alma, que permanecia.

De fato, em um dos mais famosos textos da antiguidade, Platão descreveu seu mestre Sócrates, prestes a enfrentar a morte, falando longa e eloquentemente sobre a corrupção e maldade do corpo. Também afirmou que, no momento da morte, sua alma imortal seria finalmente livre para fazer todas as coisas que o corpo a havia impedido de fazer.

A Bíblia ensina algo radicalmente diferente. O corpo humano é criação direta de Deus, que de modo assombroso e maravilhoso o formou (Sl 139:14). Além disso, o corpo não se separa da alma. Corpo, mente e espírito são apenas diferentes aspectos da personalidade ou existência humana, não entidades existentes