segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Natureza da Igreja – O que é a Igreja?


Sem entendermos a natureza da igreja, torna-se complicado entender o crescimento da igreja. Se abordarmos a igreja de maneira alheia à sua natureza, estaremos ferindo-a e se houver algum crescimento, ele não será saudável e duradouro. Conforme como abordamos a igreja os novos discípulos que forem se unindo a ela, terão o perfil típico da abordagem que estamos dando.

O Propósito de Deus Para Sua Igreja:

“A igreja é o instrumento apontado por Deus para a salvação dos homens. Foi organizada para servir, e sua missão é levar o evangelho ao mundo. Desde o princípio tem sido plano de Deus que através de Sua igreja seja refletida para o mundo Sua plenitude e suficiência. Aos membros da igreja, a quem Ele chamou das trevas para Sua maravilhosa luz, compete manifestar Sua glória. A igreja é a depositária das riquezas da graça de Cristo; e pela igreja será a seu tempo manifesta, mesmo aos “principados e potestades nos Céus” (Efés. 3:10), a final e ampla demonstração do amor de Deus.” Ellen White, Atos dos Apóstolos, pág. 9.


A Igreja na Bíblia

O termo igreja não aparece no Antigo Testamento (AT) na Bíblia em Português.[1] No Novo Testamento (NT) a palavra utilizada no grego para Igreja é ekklesia que vem da preposição ek = ‘para fora de’ e Kaleo = ‘chamar’.[2] Chamar para fora seria o melhor sentido para a palavra igreja, sentido este que daria muito material para estudo, por exemplo: a igreja não foi chamada para ficar ocupada consigo mesma, mas para sair e executar fora dela o motivo de sua existência ou a igreja foi enviada para chamar um povo para fora de algum lugar ou atividade.

O termo geral ekklesia significa ‘chamar pessoas para um lugar público’ é traduzido como igreja, reunião de crentes como em 1 Co. 1:2; 12:28; 2 Co. 1:1; Gl. 1:2; 1 Ts 1:1, bem como era para uma assembléia comum como em At 19:32, 39 e 41.

A Septuaginta usa a palavra ekklesia como tradução do termo hebraico qâhâl tendo significado de congregação, assembleia ou outro corpo organizado. No NT é principalmente utilizado por Paulo.

Igreja: um Corpo Vivo

A igreja é considerada um órgão vivo, como um corpo. Não estamos falando aqui do templo de adoração, estamos falando da soma e união de irmãos numa cidade, estado, país, e no mundo. Estes irmãos em tempo de bonança estarão se reunindo em templos de diferentes estilos e construções e estarão se organizando em estruturas institucionais para melhor organizar-se para o cumprimento da missão a ela confiada.

Esta mesma igreja, pode em tempos de perseguição existir de maneira diferente. Pode se reunir na casa de alguém, debaixo de uma árvore, nos bosques ou nas montanhas.


Este corpo vivo, do qual Cristo é a cabeça, tem uma natureza divino-humana. Explico: a) Natureza divina: Aquilo que Deus faz é perfeito. Tudo o que é bom e perfeito vem de Deus Tg. 1:17. As iniciativas e ações para a salvação vêm todas de Deus. A segurança que vem de Sua imutabilidade (Ml. 3:6), a força que vem de Sua Palavra (Jo. 8:32) e do poder do Amor (Ct. 8:6), que é a maior tradução da pessoa de Deus (1 Jo. 4:7-8) e mais dezenas de coisas que sabemos e outras centenas e milhares de coisas que não sabemos sobre bondade e grandiosidade de Deus. b) Natureza humana: é aquilo de imperfeito, limitado e finito que fazemos e às vezes precisamos fazer para ter um mínimo sentido de ordem. Criamos estruturas e leis para não sucumbirmos ao caos que é tão típico onde há muita gente reunida e cada um tem os mesmos direitos.

A igreja não é invenção de homens, tanto que a Bíblia a chama de igreja de Deus (1 Ti. 3:15). A Bíblia insiste que não deixemos episunagǒgĕ (congregar-se, juntar-se) – note que o termo vem de sinagoga: o chamado é para que não deixemos de “sinagogar” ou de “igrejar”.

Por que a igreja é tão importante? Por que simplesmente não ceder ao apelo dos adesivos: “Jesus sim, igreja não!”? Qual o plano de Deus com a igreja que é tão importante para nós? Por que temos necessidade e dever de nos congregar? Qual é a função da igreja?

A Igreja e o Grande Conflito
O pano de fundo para a compreensão de todas as doutrinas, inclusive a da igreja, é o Grande Conflito entre o bem e o mal.
Estudaremos a natureza e função da igreja num escopo mais amplo, visto do ponto de vista mais amplo do Conflito cósmico entre Jesus e Satanás.

No contexto do tempo do fim, e da última pregação do evangelho eterno Ap. 14:7 diz que “é chegada a hora do Seu juízo…” O que é aqui? Deus julga ou está sendo julgado? Será que a idéia do julgamento de Deus é estranha à Bíblia? Quem seria capaz de julgar a Deus?

Rm. 3:4 – tirado de Sl. 51:4 afirma que vai haver um julgamento.

Deus está sendo julgado em Seu julgamento. O Juízo pré-advento está em pleno andamento no santuário celestial desde 1844. Os mundos não caídos, os anjos caídos e não caídos, bem como todo o nosso mundo, querem ver se em Deus se encontram ambos: amor e justiça.


Para cada pessoa em julgamento, Deus está sendo a Sua mais pura essência (Ele não consegue deixar de ser amor), exercido em forma de graça e misericórdia para com a situação que envolve aquela existência. Ao mesmo tempo e na mesma Pessoa divina, a justiça se cumpre de maneira plena e perfeita (Sl 89:14; 97:2).

Como os anjos caídos e não caídos estão julgando a Deus? Como podem eles conferir que Deus é o que Ele mesmo sempre afirmou de Si mesmo? Qual é o elemento aferidor?

1)   A vida de Jesus Cristo!

2)   A Cruz sucedida da ressurreição!

3)   A vida dos seguidores de Cristo!


Em Ef. 3:8-12 é mostrada toda responsabilidade da igreja diante dos poderes do bem e do mal. Em Rm. 16:19-20 diz qual vai ser a consequência de não fazermos a vontade de Deus. Em Mt. 7:21-23 Jesus declara toda a consequência de carregar o nome de Cristão sem viver o poder de Jesus 2 Tm. 3:5. No pastorado o melhor que vão fazer é “se introduzir pelas casas, levando cativas mulheres néscias, carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências, sempre aprendendo, mas nunca conseguindo chegar ao pleno conhecimento da verdade…” 2 Tm. 3:6-7.

Como Jesus pode esmagar Satanás debaixo de nossos pés? Como Ele pode reivindicar o seu caráter? Mt. 5:16 “…deixem a vossa luz brilhar…” Para que? “…para que vejam…”


No final, quando estivermos nos 1000 anos, nenhum dos fiéis súditos vai ficar com dúvidas sobre o caráter de Deus. Todos vão entender que na vida de cada ser humano desde o início deste mundo todas as chances foram oferecidas, e que cada um teve oportunidades diversas para escolher ao lado de Deus (mesmo entre as nações pagãs).


Com este entendimento de igreja, inserida no meio de um conflito, tendo que cumprir um papel elevado, precisamos levar a igreja a viver uma vida em constante santificação no ser e no fazer.

--------------------------------------------------------------------------------
Publicado por Dr. Berndt WolterNão comentado

[1] http://www.theopedia.com/Ecclesiology. Pesquisado em 10 de Fevereiro de 2008.

[2] Ibid.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Institucionalização: Estou eu Institucionalizado?

Num jornal televisivo local em Berlim, foram apresentadas duas notícias. A primeira era da Volkswagen, com problemas de integridade da diretoria, funcionários exigindo seus direitos, sindicatos pressionando, problemas com fornecedores, competitividade no mercado, os altos impostos governamentais sobre os produtos impedindo o consumo, etc., etc. A outra notícia era da empresa Google.com que estava sendo lançada na bolsa de valores quando teve a sua primeira injeção de dinheiro vinda da venda de ações. 27 funcionários, todos altamente motivados e afinados com os objetivos do empreendimento. A entrevista com alguns funcionários mostrava o alto nível de satisfação vivido por cada um deles e como estavam dispostos a sacrificar-se pela jovem empresa. Cada um tinha espaço para exercer sua criatividade e iniciativa. Cada iniciativa de criatividade recebia completo apoio e direito para exercer autonomia, pois quase que intuitivamente todos estavam afinados com a visão daempresa e todos os esforços confluíam para a mesma direção somando com a natureza da organização. Que contraste entre essas duas empresas?
Qual a diferença? O que faz uma estar tão amarrada e a outra tão cheia de possibilidades e opções? É realmente inevitável uma organização envelhecer? O que contribui para a sua degeneração e complicação de um sistema? É a tentativa de organizar as coisas para que haja mais controle por parte de quem lidera o processo? Seria a quantidade de pessoas que precisam ser lideradas que impõe um processo de despersonalização da organização? Quando inicia o processo de guinada do foco das pessoas para a instituição? Que filosofias estão por trás desse desvio de foco? Seriam essas filosofias que marcam o envelhecimento de uma organização baseadas em uma compreensão bíblica? Uma igreja local precisaria envelhecer e perder vigor? Uma organização de igrejas precisaria perder o frescor e pujança de seus inícios? O que marcou a Igreja Adventista do Sétimo dia em seus primórdios que a faziam viver o cristianismo com tanta esperança, energia e vigor?
Não sei se esse artigo pretende responder perguntas ou apenas elaborá-las… Vamos apenas dar alguns estímulos para o desenvolvimento do raciocínio sobre organizações de forma geral e especificamente de igrejas locais e suas organizações superiores. Leia esse artigo como um ensaio de raciocínios que precisam, com certeza, ser desenvolvidos. O leitor que fizer a leitura de crítica contra a igreja nesse ensaio, estará lendo crítica a partir de seus próprios olhos. Teremos que, no entanto, fazer perguntas que incomodem o status quo com o qual nos acostumamos.
A institucionalização é um assunto amplamente discutido em organizações que tenham certo tempo de vida. Procuramos a definição de INSTITUCIONALIZAÇÃO em vários dicionários: Institucionalização: Ato, processo ou efeito de institucionalizar. O que seria institucionalizar? Institucionalizar: Dar um caráter institucional a; tornar institucional. O que é algo institucional? Institucional: Relativo às instituições. O que seria uma instituição? Instituição: 1) Ação de instituir, de estabelecer. Instituição/estabelecimento de uma ordem religiosa. 2) As coisas instituídas. Conjunto de regras e normas estabelecidas para a satisfação de interesses coletivos.
Em outras palavras, quando uma organização perde a espontaneidade das pessoas para transformar as suas práticas em procedimentos padrão, quando existe a necessidade de organizar e controlar, ocorre passo a passo a institucionalização. Estou aqui defendendo a anarquia? NÃO!!! Pois esse seria o outro extremo indesejável. Se cada um faz aquilo que quer, nenhuma organização vai substituir pois não haverá organização.
A natureza da organização vai determinar que grau de institucionalização que poderá suportar, sem perder o seu objetivo fundamental. Se é uma fábrica de lentes de precisão, ou uma indústria de produtos químicos, é necessário que os profissionais que ali trabalham sejam exatos em cumprir as normas estabelecidas pela empresa, para que os produtos tenham uniformidade e o mercado que quer consumir um determinado produto, o receba dentro daquelas normas. No entanto se um posto de gasolina ou um grupo de Alcoólicos Anônimos impuser excessivas e desnecessárias regras provavelmente não irá alcançar os objetivos a que se propõe e cumprir com o propósito para qual foi fundado.
A natureza de uma igreja, organização que envolve pessoas, ideais, desenvolvimento de caracteres, precisa lidar com as típicas variabilidades que envolvem pessoas em suas diferentes experiências e manifestações. Diz a Bíblia: “tudo seja feito com ordem e decência…” então o processo que ocorre numa igreja precisa ter algum tipo de ordem e decência. Mas que ordem é essa? É a ordem exata dos polidores de lentes de precisão? É a ordem rigorosa de uma torre de controle que ajuda pilotos a pousar e decolar aviões? É a ordem de uma torcida de futebol, que quer prover divertimento aos seus participantes? Ou será a de uma associação de criadores de equinos que quer ajudar todos a ter os melhores cavalos?
A outra questão é, como é imposta esta ordem? Como em um exército? Como em um escritório de venda? Em um exército existem informações privilegiadas que apenas os mais graduados militares detém. A partir deles vêm as ordens que precisam ser obedecidas, sob pena de processo de insubordinação para aqueles que não obedecem. Ou será que a ordem e a liderança da igreja como organização deve seguir os padrões dos governos seculares? Vamos seguir o modelo de ditadura militar nos tempos de ditadura militar e organizar a igreja de acordo com essa percepção? Depois vamos mudar o estilo de liderança quando revoluções populares exigirem mudanças no estilo de governo?
Qual é a natureza da igreja, qual é o propósito pensado por Deus para ela nesse tempo do fim? Não é a compreensão da natureza da igreja que define que tipo de ordem e liderança será estabelecida. É mais temperada com amor? Só amor? É com o puro rigor da lei? É por praxes, programas e comandos de superiores? É dando ênfase no desenvolvimento das pessoas? Ou é uma ordem que quer apenas perpetuar um sistema por medo de mudanças?
As fases de desenvolvimento de uma organização
Toda organização passa por fases, assim como o ser humano mudam e amadurecem, ficam velhos e eventualmente vêm a morrer. Como diz o ditado popular: “o avô constrói, o pai mantém e o filho destrói…” Há várias teorias referentes ao envelhecimento de uma organização. Há diversas iniciativas para trazer de volta o vigor e força de organizações que perderam o foco. A boa notícia é que uma igreja pode ter vários ciclos de vida, se ela tiver coragem de buscar novo vigor – como temos falado ultimamente com frequência: “Reavivamento e Reforma” (clique AQUI para ir ao site oficial). Não apenas buscar renovação espiritual (que é a essência e o mais necessário), mas também buscar renovação organizacional para dar fluído mais natural à busca desse reavivamento e reforma de cada membro da igreja – voltaremos a esse assunto mais adiante. Abaixo o quadro das fases pelas quais uma organização passa.
Fonte: Recreating the Church, 25.
As 3 Fases na Curva de Maturação Institucional
Essas três fases são as principais (caracterizadas no quadro abaixo).
Depende da teoria organizacional que se assume, há outras divisões. Vamos seguir aqui as percepções de Richard L. Hamm, quando ele discute especificamente a igreja como organização. Em seu livro “Recreating the Church – Leadership for the Postmodern Age” ele discute a igreja em sua natureza e o que leva a igreja a passar por cada uma dessas fases.
FASE Movimento: no início de qualquer igreja, há mesmo resistência ao processo de se organizar, se instituir. É quando os pioneiros começam a se imaginar como um povo, com um propósito em comum. Há um forte debate sobre os fundamentos daquilo que o grupo quer ser e que código utilizarão para propagar o que estiverem descobrindo. No caso da IASD, foi no período pós decepção de 22 de outubro de 1844. Ali procuraram significado para o fato de Jesus não ter retornado no período que haviam descoberto. Aprofundaram-se mais no conhecimento da Bíblia e de suas implicações na vida de cada seguidor. Haviam muitos que visualizavam biblicamente a breve volta de Jesus ocorrendo. Os céticos, descrentes, duvidosos desapareceram com a grande decepção. Os visionários assumiram a frente e iniciaram um movimento ajudando outros a verem o que viam. Esse é um momento muito idealista e é justamente isso que energiza todos os que aderem ao movimento. A visão está clara e tão fundamentada na Bíblia como o grupo inicial consegue fazê-lo. Cada novo seguidor precisa passar pelo processo de adquirir a visão daquilo que o grupo inicial viu e está perseguindo. Cada novo adepto precisa entender o propósito daquele movimento e se envolver inteiramente para ser aceito. Não havia verdades finalizadas, pois o grupo estava em pleno processo de descobri-las. O investimento era principalmente no desenvolvimento do ser de cada novo converso. Como não havia recursos financeiros, cada adepto que compreendeu a visão bíblica para a existência do movimento precisava se envolver e ajudar. O fazer vindo do ser! A ousadia de uma fé ativa é fortemente reconhecida e desejada por cada integrante do movimento. Veja abaixo o resumo.
Fonte: Recreating the Church, 25-31.
FASE Institucionalização: aqui temos 3 momentos: 1) no início dessa fase os próprios visionários da IASD perceberam que precisavam se organizar. Perceberam que a “sua causa” não poderia sobreviver sem que um mínimo de sistema de procedimentos ocorresse, sem que estabelecessem o que seria coerente com a identidade que se estava cristalizando e o que não era compatível e que maneira iriam assumir para fazer a distinção e julgar os casos que fossem surgindo. 2) Nessa fase, uma compreensão comum toma conta de uma coletividade e pelos procedimentos básicos de organização implantados um crescimento surpreendente se apodera do outrora movimento. 3) O fato de na fase 2 os procedimentos organizatórios terem funcionado, fazem com que mais organizadores sejam desejados, como fórmula para um futuro crescimento. Nesse terço final, no entanto, a maior organização, a introdução de mais sistemas e procedimentos padronizados, a pressão para maior empenho sobre os seguidores não trazem resposta proporcional. Pelo contrário, finanças são investidas para espremer com mais força aquilo que já não dá mais o mesmo resultado. Ao invés de voltar ao pensamento original e trazer de volta os visionários para a discussão, há uma tentativa de institucionalizar ainda mais aquilo que já está institucionalizado demais, aquilo que precisaria ser desinstitucionalizado em áreas onde não fosse estritamente necessário. Nesse terço final da segunda fase, ainda se experimenta a prosperidade financeira adquirida no segundo terço da mesma fase, o que mantém o sistema iludido que tudo está indo na direção certa e mantém o mesmo vigor. As pessoas no entanto estão se desidentificando com o processo de institucionalização, pois aquilo que buscam – significado para sua vida pessoal – é deixado em segundo plano pois a tentativa de perpetuação da instituição, ou pelo menos, a proteção dela toma a atenção principal dos envolvidos.
FASE Burocratização: Nessa fase entra a organização que não tomou as providências necessárias até no máximo no terço final da fase da Institucionalização. Na igreja pode ser que algumas geografias manifestem os sintomas do quadro acima antes que outras geografias. No artigo “Uma Trajetória Quase Inevitável” (clique AQUI para ver) são apresentadas 3 geografias que quase como que numa sequência manifestam os sintomas típicos dessa Fase da Burocratização: Europa, Estados Unidos e Brasil – sendo que segundo os sintomas, o Brasil deve estar no último terço da fase da Institucionalização (ainda com tempo de fazer o processo retroceder, sem os efeitos degenerativos que se colhe na terceira Fase).
Há Esperança!
Se forem tomadas as devidas medidas os efeitos negativos do processo podem ser minimizados e a igreja pode mesclar elementos da fase do Movimento onde é necessário e experimentar o que chamamos de Revitalização Institucional. Veja o quadro abaixo.
Há algumas medidas imprescindíveis para que essa revitalização ocorra (veja continuação depois do quadro).
Fonte: Núcleo de Missões e Crescimento de Igreja
 
As Medidas Necessárias*:
a) Envolver Visionários no processo decisório da igreja. Visionários equilibrados olham para o ideal a ser perseguido e energizam o sistema com as possibilidades que podem existir. A igreja gosta de se apegar ao ideal sugerido pela Bíblia. Transformar o ideal bíblico em prática na igreja local de tal maneira que a lá onde igreja acontece se realize no serviço que presta, é sabedoria que precisamos incentivar.
Visionários geram, como efeito colateral algum desconforto para as típicas mentes institucionalizadas (sem conotação negativa), mentes que pensam em formato de programa e sistema. Respeito e honro os que estão nos cargos de proteger a instituição e de organizá-la mais, mas dar ouvidos aos “sonhadores” simultaneamente, aos que pensam no ideal da igreja, aos que pensam diferente do status quo, vai ajudar a igreja a não apenas preservar o que temos, mas a energizar pessoas (membros das igrejas) com a percepção de que estão sendo ouvidos.
2) Investir no desenvolvimento humano. Temos cultos e atividades na igreja, mas não temos, ou não temos mais um sistema de acompanhamento sistemático do desenvolvimento espiritual e desenvolvimento pessoal (integral – mente, corpo, espírito) de cada membro. Um processo de discipulado, que não tenha medo de tomar tempo até levar as pessoas à “estatura da medida de Cristo” (Ef. 4), precisa ser instalado como foco principal, como meio de adoração mais central da igreja – pois não há adoração melhor do que um coração sintonizado com a vontade de Deus (I Sm. 15:22; Sl. 51:17) e nós Adventistas somos chamado à adoração mais intensa no tempo do fim (Ap. 14:6-12). Veja AQUI toda a seção sobre discipulado.
3) Valorizar os dons mais do que os cargos. A excelência no serviço vem de uma mescla de conhecer os dons, sentir-se chamado por Deus para exercê-los, estar capacitado para exercer os dons e prover espaço dentro da instituição para que cada membro trabalhe em um ministério onde possa viver todas as dimensões de seu dom.
Ao criar um ambiente para o serviço desinteressado de acordo com os dons de cada membro, a igreja precisa se estruturar para que isso possa acontecer. Se mantivermos a estrutura de cargos e departamentos que temos hoje na igreja local, haverá fidelidade institucional, mas a ação do Espírito vai ser limitada pelas estruturas inadequadas que temos para esse momento do desenvolvimento institucional. (veja o artigo sobre Dons Espirituais AQUI e baixe o teste de dons. Veja AQUI os 10 passos para implantar os Ministérios segundo os dons na igreja local).
4) Dar mais espontaneidade ao processo da igreja local. A formalidade exagerada não é mais apreciada por nossa época, e não há nenhum princípio bíblico que é ferido por marcar as atividades da igreja com mais espontaneidade. Não entenda o leitor que eu estou falando de relaxo! Pelo contrário, fazer as coisas de Deus com mais excelência e maior dedicação, sem, no entanto marcar tudo com a frieza da formalidade excessiva.
5) Desengessar atividades e processos. A maior marca do avanço da institucionalização numa organização é quando processos, atividade e métodos não surgem ali onde devem ser executados. Quando há muita distância da mesa de planejamento para o assoalho da execução, o processo de desenvolvimento de pessoas e o seu empenho pela igreja emperra. As pessoas vão se desidentificando do trabalho da igreja quando não podem exercer a sua criatividade e autonomia. Quando não têm o direito de colocar o seu coração naquilo que estão fazendo, mas apenas executam as idéias de outros, há desmotivação e falta de adesão aos projetos.
Se numa igreja institucionalizada, um grupo de 15 a 20 pessoas podem viver com criatividade, iniciativa e autonomia ao planejar e promover – e estes ficam animadíssimos quando o fazem – imagine o que aconteceria com a membresia de todo esse território se tivessem o mesmo direito? Imagine o entusiasmo que surgiria se os membros da igreja pudessem sonhar, fossem conduzidos nesse processo e tivessem o direito de assistidos, desenvolverem os projetos que em oração elaboram, para as situações reais que as cercam no dia a dia no lugar específico onde estão.
6) Promover a centralidade da igreja local: Onde é que acontece igreja? Onde ocorre o processo de conversão? Onde ocorre o batismo, o discipulado? Onde pessoas tomam decisões por Cristo? É na igreja local e é ali que precisa haver a maior liberdade para execução de um trabalho local. Esse artigo não está defendendo o congregacionalismo, não! Estamos afirmando que lá onde igreja acontece, precisa ser o centro das atenções. As outras estruturas que temos como igreja Adventista desde o início – quando profeticamente foram confirmadas – foram criadas para servir a igreja local e dar-lhe apoio estratégico e logístico. A estrutura foi instituída com a finalidade de proteger a igreja local para que ela pudesse fazer o seu trabalho. A igreja local nunca deveria estar a serviço da organização – esse é outro dos grandes sinais de institucionalização.
Há algumas ferramentas a disposição da igreja local para que o trabalho seja fortalecido e ela possa se entender e entender o propósito que Deus teve ao instalá-la no local onde ela está. Um diagnóstico adequado da igreja internamente (veja AQUI e AQUI), uma compreensão da realidade que a cerca (veja AQUI) e planejamento estratégico (veja AQUI, AQUI e aulas em vídeo sobre planejamento estratégico específico para igrejas AQUI) para saber por onde ir e o que fazer.
7) Alinhar procedimentos administrativos com princípios bíblicos. É muito fácil quem administra assumir práticas e procedimentos baseados em filosofias administrativas alheias à Bíblia. À primeira vista parece que empresas de modo geral têm muito para nos acrescentar na condução da igreja de Deus. Quando esses procedimentos não são regularmente reestudados debaixo dos princípios de justiça, de amor, da individualidade de cada pessoa envolvida no processo, podem ser infectados com as percepções de capital X trabalho (K. Marx) ou de outras compreensões.
Conclusão: Ainda estamos num momento muito bom na igreja no Brasil e com o vigor e juventude que ainda temos na igreja, precisamos fazer os ajustes com sensibilidade, equilíbrio, com muito diálogo, mas também com coragem. Se continuarmos como estamos, já conhecemos a trajetória – veja AQUI.
Continuidade nem sempre quer dizer progresso. Jesus confrontou o seu tempo com mudanças e o povo não quis. Se queremos recuperar o vigor que a igreja precisa para terminar a pregação do evangelho, precisamos urgente tomar as medidas necessárias. Que Deus nos ajude e que nos dê sabedoria ao longo desse caminho, mas que principalmente nos encha de coragem para fazê-lo.
*Fazemos essas sugestões com muita humildade, apenas como um estímulo ao raciocínio, não como uma tentativa de ingerência administrativa.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Movimento Leigo – Motivação Genuína

Motivação é o ímpeto que leva o ser humano ao movimento.[i] É aquela força interna que o faz fazer o que ele faz.[ii] É uma mescla entre razão e emoção que se concentram para alcançar algo.

Quem conhece os motivos do coração humano? Parece que numa quantidade considerável das vezes, nem nós mesmos sabemos o que nos move. (cf. Jr. 17:9)
As nossas escolhas são fortemente influenciadas pelo nosso sistema de valores e maneira como vemos o mundo – a nossa mundivisão.[iii] Aquilo que vamos elegendo como sendo mais importante, é o que mais vai nos motivar. Exemplo:se um jovem finalmente conseguiu comprar aquele carro dos sonhos, aquele que ele sempre quis, é bem provável que polir o carro, repará-lo, instalar os acessórios desejados, colocá-lo na conformação sonhada será a sua maior motivação. Essa é paixão do seu coração, e é ali que ele vai colocar todo o empenho, finanças e tempo – naquilo que em seu sistema de valores (emocional ou racional) ele elegeu como sendo mais importante. Se no momento em que ele estiver cuidando do seu carro alguém o convidar para ir à igreja, ele provavelmente vai preferir ficar cuidando do carro.
Sistema de valores baseado nas emoções X sistema de valores baseado em escolhas racionais
A maior parte da população faz escolhas construídas nos seus gostos pessoais ou nas emoções do momento.[iv] As consequências geralmente são catastróficas. No calor da paixão, no impulso movido pelos gostos pessoais, não se faz boas decisões – a motivação não foi checada pela razão. Não houve tempo de se avaliar as consequências e o efeito que esta escolha terá sobre quem a faz ou sobre pessoas que serão afetadas por essa escolha.
Os valores construídos sobre emoções, são valores mais vacilantes e menos duradouros.[v]
Por outro lado, os valores construídos sobre convicções racionais que surgiram do estudo da Bíblia, fortalecidos pela oração e consolidados pelo estudo do Espírito de Profecia, são robustos e movimentam a vida fundamentados em princípios inspirados.[vi] Esse sistema de valores procedente da Palavra, fornece uma motivação individual consistente, duradoura.
Quando a pessoa está diante da escolha de se deixar motivar por apelos superficiais emocionais, ou ser fiel à uma convicção adquirida na Palavra ela já não titubeia mais. Ela sabe onde está a verdadeira motivação, a motivação mais consistente e que trará resultados mais equilibrados e duradouros.
Liberdade e motivação

O ambiente necessário para a motivação é a liberdade completa de escolha. As pessoas são diferentes e cada uma se motiva com aquilo que assentou em seu coração.
Impor motivos, manipular a mente ou a emoção de uma pessoa faz com que ela desconfie da genuinidade de sua motivação. Ela percebe que a motivação não nasceu naquele local sagrado dentro coração que ninguém tem o direito de tocar ou manipular.
Se eu forçar uma pessoa a fazer algo, apenas pelo fato de eu querer que essa pessoa faça o que eu quero, ela não o fará genuinamente. Não estará presente aquela alegria interior, aquela força motivadora emocional e/ou racional.
Líderes que entendem a natureza humana e precisam de cooperação de um grupo, gastam tempo preparando aquele grupo, explicando o que deve ser feito, por que deve ser feito e qual a parte que cada um deve exercer para alcançar o todo. O líder verdadeiro pede licença para abordar aquele território sagrado dentro do coração humano, onde cada um tem o direito de exercer o livre-arbítrio. Ele apela para a inteligência, para o bom senso das pessoas e para o sistema de valores compartilhado por aquele grupo.
Antes de agir, o grupo liderado precisa ter uma percepção de mundo comum compreendido e aceito por todos. Quando não existe um sistema de valores comuns e nem uma percepção de mundo semelhante, não vai haver motivação do grupo. A comunicação fica prejudicada por que os códigos utilizados não foram “ensaiados” na “iniciação” e consequentemente são comuns a todos – a linguagem não confere.
Quando esses elementos estão acertados, uma compreensão mais ampla da natureza humana surge dos estudos apresentados por Edward Deci, em seu livro “Por que Fazemos o que Fazemos”. Ele apresenta duas maneiras pelas quais o ser humano pode ser motivado: “de fora para dentro” ou “de dentro para fora”.
Motivação extrínseca[vii] (de fora para dentro)
É quando o elemento motivador está fora da atividade. O líder usa aditivos motivadores que não fazem parte diretamente daquilo que se quer fazer.
Aqui está se falando principalmente de elementos apresentados antes da atividade, do projeto em si começar.
Existem os estímulos externos positivos: as recompensas e os estímulos externos negativos: as ameaças. Promessas de recompensas ou ameaças são feitas que não têm nada a ver com o empreendimento em si.
Exemplo 1: um prêmio é oferecido – uma bicicleta – para quem ler a Bíblia toda até o final do ano. O que será que uma bicicleta tem a ver com o fato da pessoa ler a Bíblia?
Exemplo 2: se você não ler a Bíblia você será colocado de castigo por uma semana. Será que essa ameaça vai fazer com que a pessoa leia a Bíblia?
É compreensão dos especialista que as pessoas são motivadas por recompensas ou ameaças. Como é o caminho mais curto, muitos líderes fazem uso desse expediente. Esses “motivadores extrínsecos” apelam geralmente para emoções superficiais ou para valores menos nobres e consequentemente têm duração limitada.
Experiências científicas mostram que no momento em que o estímulo externo é retirado – quer seja a recompensa ou a ameaça – a pessoa cessa a atividade.
A utilização excessiva desse tipo de motivação avilta o empenho e interesseiros surgem – pessoas que não estãointeressados na atividade em si, mas na recompensa que terão ao fazê-la.
Quando se trabalha com voluntários, essa é a pior maneira de envolver as pessoas em uma atividade, projeto ou ministério. As pessoas ficam confusas e os motivosincertos. Há desconfiança dos motivos de quem solicita a participação e inevitavelmente, mesmo que subliminarmente, surge uma confusão nos motivos de quem deve participar.
Há estímulos externos à atividade, no entanto, que são genuínos:
- pequenos presentes de reconhecimento não anunciados previamente
- palavras de reconhecimento pela atividade já realizada
Esses estímulos, quando intencionados para serem genuínos, não podem ser anunciados, são expontâneos, não subornantes, ocorrem mediante a tarefa já realizada, e demonstram reconhecimento e apreciação pela dedicação à tarefa em si.
Motivação intrínseca[viii] (de dentro para fora)
É quando o elemento motivador está na própria atividade. O líder prepara e organiza a atividade de tal maneira que a atividade, projeto ou ministério seja interessante. Há diferentes grupos de pessoas e cada grupo de pessoas é motivado por razões diferentes.
Exemplo 1: Um grupo de pais quer fazer um parque de brinquedos para os filhos dentro do condomínio onde moram. O líder inteligente sabe que existem pais que participarão para a) terminar logo e ter o parque, outros para b) terem o prazer de fazer algo em grupo – apreciam o senso de comunidade, outros ainda participarão c) com uma parte do processo – não querem se envolver no projeto todo, mas em tarefas específicas e outros d) gostam de participar no planejamento, muito mais do que na execução. Muitas vezes não importa a atividade ou projeto, as pessoas querem se envolver da maneira como apreciam mais fazê-lo.
Exemplo 2: Se pessoas não estão mais lendo a Bíblia, e todos os estímulos extrínsecos não funcionam, pode ser que haja necessidade do grupo entender por que fazer aquilo, e envolvê-los em dinâmicas que fazem sentido para as diferentes pessoas. Há pessoas que querem ler a Bíblia, mas gostariam de fazê-lo em grupo para discutir – o senso de comunidade é o estímulo. Outras gostariam de fazê-lo se entendessem uma maneira de fazê-lo em tempo “X” – fator de estímulo é o tempo limitado para conseguir cumprir com a tarefa. Outras ainda prefeririam estudar a Bíblia com a finalidade de aprofundar-se, de esgotar o sentido mais profunda das Escrituras – motivação: qualidade e profundidade.
Como conseguir a motivação intrínseca?
Há três elementos que compõe a motivação intrínseca, quer dizer para fazer a atividade pela própria atividade. Os estudiosos descobriram quando pessoas tem um senso de respeito por sua autonomia, por sua criatividadeindividual e são levados a prestar contas[ix] dentro de um espírito de comunidade não de cobrança, as pessoas não apenas irão fazer aquilo que um líder determinar, mas terão a capacidade e a vontade de tomar iniciativas por si e achar soluções para problemas e situações que de outra maneira não surgiriam.
Organizar atividades que tenham a motivação embutida na própria atividade são a sabedoria da motivação.[x]Exemplo: Um grupo de pessoas que se relacionam bem, descobrem seus dons, estudam como podem utilizá-los de uma maneira que um complemente o outro, toma a iniciativa de servir a comunidade ao redor da igreja. Enquanto eles puderem desfrutar de sua autonomia de o que fazer (direito de fazer sem interferências externas), puderem usar a sua criatividade de como fazer e forem envolvidos no companheirismo da igreja prestando contas de suas atividades para a coletividade de crentes, eles irão estar motivados com a própria atividade.
Se ainda por cima, obtiverem reconhecimento equilibrado (reconhecimento que não roube da atividade o elemento motivador) e apoio da coletividade de crentes, o ministério, projeto ou atividade funcionará com crescente alegria e satisfação.
Elementos que geram confusão
Competição:
Competição não é motivadora, pois compara uma pessoa com a outra e transporta para fora da pessoa o elemento motivador. Não é mais a atividade que estimula, mas o fato de querer ser melhor que outra pessoa.
Quando vamos fazer algum tipo de comparação, devemos fazê-lo internamente, isto é, a pessoa consigo mesma.Exemplo: hoje você fez melhor do que ontem. Vamos melhorar ainda mais para amanhã?
Motivação e relacionamento:
Creio pessoalmente que estamos tentando, desesperadamente nos despedir de uma compreensão mecânica, uniformista do ser humano. Na no ser humano é uniforme, nada que o envolve é uniforme. Não existe nada igual! Não funcionamos como máquinas! Compreendendo que somos seres relacionais, cada um com a sua maneira de ser, cada um com a sua história, suas feridas e alegrias na vida, uma abordagem mais sábia será dada ao assunto motivação.
O maior estímulo interno pelo qual as pessoas fazem o que fazem, é o amor. Não fazemos as coisas tanto pelas próprias coisas, fazemos o que fazemos por alguém. Entender o aspecto relacional como elemento motivador é sabedoria a ser adquirida.
Esse alguém precisa conquistar o respeito, o amor daqueles que quer motivar e eles o farão por amor ao líder. Talvez seja esse o mais genuíno motivo de se fazer algo. O livre arbítrio e o exercício do amor são os dois maiores elementos de motivação.
Função ou Dom?
Para o trabalho assalariado uma função pode estimular a iniciativa e trazer motivação. No entanto é um estímulo externo à atividade e por conseguinte não trará motivação duradoura, pelo contrário, depois de conseguir aquela função, a pessoa vai galgar outros cargos. Especialistas descobriram que mesmo pessoas que recebem salário, são mais motivadas quando elas são colocadas em funções mais adequadas à sua vocação e quando é dado espaço para aautonomia, a criatividade pessoal e a prestação de contas em espírito comunitário (espírito de equipe).
Voluntários principalmente são estimulados ao comprometimento com projetos, atividades e/ou ministérios quando existe estímulos intrínsecos, como descrito acima.
Conclusão
Como líderes somos chamados a suplicar a Deus a capacidade de estudar a natureza humana a ponto de que saibamos o que de fato motiva, as atividades que trarão a motivação intrínseca, dando plena liberdade para que cada um faça aquilo que ela se sentir chamado e isso com ordem e decência.
Como fazer com que as atividades da igreja, contemplem a coletividade? Como levar uma coletividade a fazer uma tarefa, sendo que cada um tem um desejo diferente do outro? Que tipo de atividades desenvolver para que uma coletividade se sinta livremente envolvida e estimulada a fazer o que precisa ser feito?
Líderes são chamados a achar soluções para que a coletividade de uma igreja seja estimulada a levar a causa de Deus avante. Aqui algumas dicas que poderão contribuir na prática de descobrir dons e talentos nas pessoas, envolvê-las em ministérios, projetos e atividades, desenvolver comprometimento com o todo e trazer vigor e crescimento para a igreja.
- O diálogo construtivo é um elemento fundamental nesse assunto. Me preocupo quando uma igreja é absorvida com preconceitos, tradicionalismos vazios e formas fixas. Me preocupo com uma igreja que não conversa mais sobre os assuntos que a apertam. Me preocupo com uma igreja que por medo de ver o que não gostaria, evita tematizar aquilo que aflige a todos.
- Ministérios organizados conforme os dons dos membros[xi] é outra ferramenta poderosa para despertar motivação na igreja local. Quando cada discípulo de Cristo entende como Deus quer utilizar a sua vida, qual é o plano de Deus em sua vida, e pode – tem o direito – de usar a sua vida sob a direção do Espírito de Deus, uma alegria renovada surge.
- Uma visão clara para a igreja local une os membros, dá foco para os ministérios e atividades. Os ministérios segundo dons tendem a ser dispersos em suas atividades, isto é, cada um puxa numa direção e cuida de seu ministério. Uma visão clara, construída por meio do diálogo construtivo dentro da igreja, e um planejamento que auxilie a igreja a dar, passo a passo, cumprimento à visão, leva cada ministério a contribuir para um todo combinado (cf. Mt. 18:19).
- Quando existe um sistema de apoio, assalariados e voluntários são muito mais estimulados ao comprometimento com o todo, muito mais do que quando deixados a trabalhar de maneira solitária.

[i] Rudolph, Udo. Motivatiospsychologie. Weinheim: Belz, 2003.
[ii] Deci, Edward. Por que Fazemos o que Fazemos. São Paulo: SP, 2002.
[iii] Bauer, Bruce. Spirituality. Anotações de Aula, UAP, 2011.
[iv] Reeve, J. Marshall. Motivação e Emoção. Rio de janeiro: RJ, 2006.
[v] Ibid.
[vi] Ver http://discipulado.numci.org e http://espiritualidade.numci.org.
[vii] Deci, Ibid.
[viii] Ibid.
[ix] Ibid.
[x] Heckhausen, Jutta & Heins. Motivation and Action. Cambridge University Press, 2008.
[xi] Ver http://discipulado.numci.org.br.

180º Tesmunho - Bianca Marques